30/05/2008

Descubra as diferenças

O Menphis ainda não autorizou (roubei-lhe não só os textos, mas também a imagem), mas eu não resisti a citar os dois autores que se seguem, os quais separados por cerca de um século, decalcam na perfeição aquela que foi, é e continuará a ser a nossa triste realidade.

Porque na sociedade portuguesa actual, o medo, a reverência, o respeito temeroso, a passividade perante as instituições e os homens supostos deterem e dispensarem o poder-saber não foram ainda quebrados por novas forças de expressão e liberdade.Numa palavra, o Portugal democrático de hoje é ainda uma sociedade de medo. É o medo que impede a crítica. Vivemos numa sociedade sem espírito crítico – que só nasce quando os interesses da comunidade prevalecem sobre o dos grupos e das pessoas privadas.

Parágrafo de José Gil na mediática obra Portugal Hoje, o Medo de Existir, neste início de século. Já no início do século passado, repito, século passado, escrevia o mestre Fernando Pessoa:

Tão regrada, regular e organizada é a vida social portuguesa que mais parece que somos um exército do que uma nação de gente com existências individuais. Nunca o português tem uma acção sua, quebrando com o meio, virando as costas aos vizinhos. Age sempre em grupo, sente sempre em grupo. Está sempre à espera dos outros para tudo. E quando por milagre de desnacionalização temporária pratica a traição à Pátria de ter um gesto, um pensamento ou um sentimento independente, a sua audácia nunca é completa porque não tira os olhos dos outros, nem a sua atenção das suas criticas.


É preciso dizer mais alguma coisa?

9 comentários:

TT disse...

Adorei...

Claro que reparei em diferenças nos dois textos, principalmente porque Fernando Pessoa é genial limitando o passo seguinte dos que tentam fugir ao "rebalho" mas não deixam de se contextualizar nele.

Muito bom :)

Anónimo Juvenal disse...

"Tão regrada, regular e organizada é a vida social portuguesa que mais parece que somos um exército do que uma nação de gente com existências individuais. Nunca o português tem uma acção sua, quebrando com o meio, virando as costas aos vizinhos. Age sempre em grupo, sente sempre em grupo."



Bem, só falta alguém vir dizer que O Nandinho Persona também é um ignorante. Ás vezes baralhas-me as voltas oh Claudia. Afinal em que ficamos?!...
Eu cá concordo.


*

Anónimo disse...

não stresses... eu acredito naquela lei do retorno... e em dose tripla!!!

já sentimos a tua falta

RightBehindYou

RV disse...

infelizmente tenho q dizer q os senhores sabem do q falam

Jaime disse...

Temos uma grande tendência para a carneirada. Até com isto estamos todos de acordo! :-)

scaramouche disse...

:)

gostei.

scaramouche.

Menphis disse...

Ao vermos os anos que separam estas duas grandes citações só se prova que a carneirada não mudou, e ainda continua a ser o que era. Apenas mais sofisticada.

Maria del Sol disse...

E à passividade generalizada há que juntar a sua consequência natural: a inveja. Quando a pequenez de espírito se instala, o terreno é fertil para nutrir um ódio disfarçado àqueles que ousam agir com horizontes mais amplos.
Off-post: vim também lançar-te um dos clássicos desafios bloguísticos. Não é muito típico em mim, mas achei que irias gostar deste. Quando puderes, dá uma espreitadela ao meu blog. :)

Rosa dos Ventos disse...

Não!
Está mesmo tudo dito, infelizmente somos assim.
Será que mudaremos alguma vez?

Abraço