15/06/2009

Retratos antigos (upload)

Voltamos à Graça. O tempo está frio, mas um leve manto de sol já cobre Lisboa, já nos cobre a ambos. A luminosidade perfeita. Calas-me num beijo e no segundo seguinte fotografas-me. Nunca sei muito bem como agir perante a tua objectiva. Acabas sempre por me captar, quer queira quer não. Tretas, fita minha, no fundo sabes bem que adoro ser namorada pela tua pequena máquina cheia de adesivo e parafusos que caem. É verdade que não sei como agir, não sei fazer carinhas nem boquinhas, e tu dizes sempre que não, que fico muito bem, olha para aquele lado, sorri, agora não. E eu sempre a achar-me uma sem jeito, não me acho bonita.

Sei o que quero. Gostava de poder imortalizá-lo numa das fotos do miradouro. Mas não quero estar sozinha na foto. Pomos a máquina em automático e tu ficas ao meu lado. Na cidade que nos pertence, e que não me faz sentido sem ti para abraçá-la comigo. Pousas o braço lento sobre os meus ombros e ficamos a fazer tempo para nós. A desfiá-lo audazes, o tempo para nós não existe. Temo-nos um ao outro e isso basta.

Faz ainda mais frio agora. Salvo um guardanapo de ser levado pelo vento e nele anoto um pensamento. Leva-me para casa e faz amor comigo. Só mais uma vez.

10/06/2009

Porque bem lá no fundo, a família é o mais importante. É tudo o que nos resta quando tudo mais desaparece.

Porque és o meu maninho, porque és corajoso e lutador e destemido. Porque te fizeste homem mais depressa do que devias...

PARABÉNS TELMO!!!

08/06/2009

Nos primórdios de nós.

As nossas conversas tiveram sempre pano para mangas. Ora porque entrávamos em desacordo, ora porque muito havia por dizer, ora porque ficávamos apenas embevecidos a ouvir-nos falar sobre os nossos sonhos, as ambições, os medos. Mas, acima de tudo, inspiravas-me. Fazias-me escrever, e melhor do que isso, escrever bem, algo que tem vindo a acontecer pouco.

Numa dessas (muitas) conversas, falámos sobre a paixão, assunto inevitável, lembraste? E o resultado foi este:

Há palavras que nos fazem pensar e olhar lá para dentro, ver coisas que tendencialmente escondemos lá no fundo. Li hoje alguém que se interrogava sobre o antónimo de paixão. E que, como sabemos, não existe. Ou se está, ou não se está, como dizia essa mesma pessoa.

A mim, é a saudade que me deixa a pensar. Por ser um vocábulo exclusivo da língua portuguesa (vá, em crioulo eles têm o sodade, mas não conta), por também não ter antónimo, e por doer quando se sente. A paixão também pode doer quando se sente. Mas só se for rejeitada, se for devolvida ao remetente, como aquela correspondência cujo destinatário faleceu ou mudou de endereço. Mas a saudade não a podemos devolver a ninguém, não posso nem consigo deixar de a sentir. A paixão, posso senti-la por outrém, se a pessoa a quem a dirijo não a quiser. Mas a saudade... não posso dirigi-la a mais ninguém que não a pessoa que ma deixou quando partiu. Tenho que esperar que ela deixei de doer. Quando ela aperta mesmo muito o coração, enrosco-me a um cantinho e deixo-me ficar assim, shhhhttt.... baixinho, em silêncio, sem réstia de ruído, à espera que a saudade passe, que não dê conta que eu lá estou. E ela vai e vem como uma tempestade, quando passa é devastadora, mas quando parte... Deixa um rasto de lágrimas que o rosto teima em secar, deixa um coração pequeno e apertado.

A paixão, se bem que não tão dolorosa, também tem que se lhe diga. Tenho uma amiga que diz que chega a apaixonar-se 3 e 4 vezes por noite. Por alguma palavra, gesto ou sorriso de alguém que lhe capta a atenção. Essas paixões fugazes são um combustível insubstituível à vida. Agora que penso nisso, às vezes também me apaixono e nem dou conta. Fico ali, embevecida, a ouvir alguém falar, as palavras soam a música, uma música que enebria. Um copo de vinho, uma conversa, um cigarro. Rastilhos para uma paixão que pode durar alguns segundos, uma noite, ou toda a vida.

Mas a paixão, se não a quiseres, posso sempre endereçá-la a quem a mereça. Já a saudade. Tem remetente único, vai registada e tem aviso de recepção. E nem adianta o carteiro perder a correspondência, ou enganar-se no número da porta.
A carta da saudade sabe bem qual a porta onde bater.

Ao que tu reagiste...:

A saudade também está muito associada à paixão, ao amor. Só sentimos saudade de quem amamos ou gostamos muito e que por alguma razão não pode ou não quer estar connosco.
É um sentimento incontrolável, mas que muitas vezes nos ajuda a perceber o quão importante alguém é ou foi para nós.
Mas um dia a saudade deixa de nos provocar...e ficamos bem com ela.
Penso eu de que...
*

07/06/2009

Pronto está dito!


PAIXÃO

Estúpida mania de achar que as palavras cabem nos afectos. Que a paixão não precisa de ser pronunciada. E que basta o sabor dos beijos, o calor dos abraços, a intensidade de se fazer amor. Não chega, pois não? Há palavras que devem ser ditas e ficam sempre cá dentro, sempre há espera do momento ideal. E um dia damos por nós e puff. Vazio, dor, ausência, e um coração a transbordar de palavras que ficaram ali por um fio, a um nada de serem ditas. Palavras que assomam quando menos espero lembrar-me delas. Embrulha-se-me o estômago quando as sinto quererem sair cá de dentro. Contorce-se o corpo na tentativa de as conter. E depois uma lágrima, outra lágrima. E outra.


Problema de Expressão - Clã

06/06/2009

Armistício



Tréguas, por fim. Baixar os braços e sentir essa paz deliciosa e inenarrável tomar conta de nós.

o abraço


Aquele que eu sabia que traria redenção para ambos, o cair dos panos, o fim oficial das hostilidades.








good night and good luck

01/06/2009

ui ui

Luv ya, guys!




Encontrarmo-nos depois de um evento trágico não é nunca um processo fácil. Despir as amizades, e despojarmo-nos de um pouco de nós próprios, em cada amigo que sentimos afastar nessa mudança forçado que não se escolheu. É das partes mais dolorosas do processo. Custa separar, dizer adeus, ou um até já que seja. Sabemos que esse até já nunca mais saberá ao mesmo. Nunca será verdadeiro. No meio desse processo, às vezes reencontramos amigos que tínhamos dado como perdidos, ou que achávamos que nos tinham esquecido. E aos poucos a vida dá sinal de se ir refazendo, aos poucos, um passo de cada vez. Pequenos sinais que vamos agarrando de que há um mundo inteiro lá fora à espera de ser consumido. Mas os amigos... ainda assim, custa deixá-los para trás, perdidos que ficaram nas malhas em nós próprios nos enrolámos. Fica sempre uma saudade que tem um estranho sabor de ainda nos faltou viver tanto. É fodida, a vida.